terça-feira, 23 de outubro de 2012

VOZES DE PÊLE DE CRIANÇA

As mãos não delicadas entram em contato com a pêle macia
Deixa o olhar cair sobre as mais presentes lembranças
Seus cabelos não lisos encostam o mais cheiroso lençol

As pernas sempre cansadas se perdem sobre outras pernas
Não existe o relógio controlando o escuro da noite fria
Poucas palavras e muitas saudades da igreja e do fim

Os olhares sem nenhuma palavra conversam entre si
Amorosamente o anel cai sobre o chão do próprio quarto
Sua blusa amassada não deixam o brilho apagar intensamente

Vozes do interno sempre castigam as mais belas paisagens
Dezenas de sapatos escondidos dentro do antigo armário
Bilhetes perdidos dentro da bolsa com segredo de Estado

O telefone mudo tortura a infância perdida no próprio presente
Canetas escolares são traumas do futuro no próprio presente
No próprio presente não existe o presente

Homens e mulhes trabalham sem pensar na sua história
Mulheres e homens figuram na sua fé inquestionável
Crianças acreditam na felicidade dos seus pais

Uma rua escura não perde o medo das suas visitas
Estórias perdidas de uma mulher (in) feliz
Estórias perdidas de um homem (in) feliz

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O JOGO DA RUA

A lua da manhã é discreta
O perfume é triste
A casa é escura
O relógio não espera

O calendário é castigador
A canção é a saudade
O sapato é preto
A criança sorri

A vida é um milagre
O passado uma lembrança
A caneta uma arma
O papel uma culpa