sábado, 28 de julho de 2007

O BRASIL QUE NÃO QUEREMOS

O Brasil caminha para se tornar um grande presídio, no qual, os papéis e os deveres estão, infelizmente invertidos. A violência e o medo são sentimentos que infelizmente se padronizaram em cada cidadão. Nos acostumamos com os noticiários, manchetes e as tragédias anunciadas pela falta de investimento, oportunidade e estudo.
Estamos nos “engaiolando” dentro de nossos muros cada vez maiores, carros blindados, contratando serviços de segurança privada, construindo condomínios cada dia mais luxuosos e nos fechando dentro deles, e as pessoas que não possuem essas condições financeiras, acabam aprendendo ou sendo obrigadas a conviverem com a violência.
As grades de nossos portões, os cadeados, as portarias não podem nos dar essa falsa sensação de segurança. Estamos nos prendendo em nossos lares, e os que realmente deveriam estar atrás das grades andam soltos. Se continuarmos assim, na demorará muito para nos auto-aniquilarmos.
Nos acostumamos com atos de vandalismos, atos de intolerância, no qual, apoderar-se do que é do outro se tornou algo certo e normal. Pior ainda é quando financiamos a violência, o roubo, adquirindo mercadorias e objetos de procedência duvidosa, com a desculpa de serem mais baratos ou “se roubaram de mim, então não faz mal comprar de outro que também foi”.
A postura ética do brasileiro é cada vez mais invertida e muitas vezes usamos como desculpa e permissão as atitudes dos nossos políticos, normatizando o errado. Isso causa uma sensação de permissidade coletiva, levando as pessoas a entenderem como errado apenas aquilo que às convém, e não agindo pela forma que deveriam agir. Devemos exigir de nossas autoridades ações mais condizentes com suas funções, mas temos que nos auto-educar para que a nossa postura também seja condizente com valores que nos elevem enquanto seres humanos.
A violência não se encontra somente nos grande centros urbanos, em muitas vezes, vemos em escolas, praças públicas e dentro de nossos próprios lares. Em todos os lugares e em todos os momentos, o que parece é que cada pessoa esta a cada momento agindo e se preparando para uma guerra. Uma guerra sem motivos, uma guerra não declarada.
Infelizmente chegamos em um ponto no qual, tirar vantagem do outro, burlar a lei, infringir as normas, não respeitar as regras se tornaram algo certo e aquelas pessoas que agem pelos princípios são consideradas e vistas como “bobas” e ultrapassadas.
Somos responsáveis por nós mesmos, somos responsáveis pelo nosso mundo. A vida será bem melhor, quando aprendermos a olhar o próximo como pessoa, e não como objeto que tenho e posso tirar vantagem sobre. Quando formos justos conosco, quando entendermos que somente nós podemos mudar tudo isso e fazermos valer o direito de liberdade que nós é garantido pela Constituição.
Eu já nem pergunto que mundo estamos construindo para nossos filhos, mas sim, me pergunto, que mundo estamos construindo para nós mesmos? Não podemos esperar pelos outros, não podemos esperar por nós mesmos, não podemos esperar... Se não fizermos nada (enquanto governo e sociedade civil) estaremos assinando o nosso próprio fim.

domingo, 22 de julho de 2007

CANAVIAL

O encanto da dança moderna
Moderna estrela de arroz branco
Arroz branco na panela azul
Panela azul é enorme para a mesa

Dinheiro é sucesso de paulistano
Sucesso de paulistano é papel verde
Papel verde é bênção do poder

Anormalidade de amores de Platão
Amores de Platão são verdadeiros

No dia de hoje o ontem é saudade

MANDAQUI

Mandaqui é azul
Noventa minutos constantes
Cores de velas brancas decoradas

Mandaqui é amarelo
Doze dias de atrações
Livro de poemas da guerra

Mandaqui é verde
Bandeira de anil trovoada
Parentes de beijos calorosos

Mandaqui não nega as curvas
Dança de salão na tarde de inverno
Notícias belas na televisão

domingo, 1 de julho de 2007

PAULISTA NÃO SABE AMAR

Paulista não sabe amar
Só sabe enganar
Só consegue dançar

Nada é eterno diante do sem rosto
Cada mente é um corpo na multidão
Algumas doses não justificam nenhum dos lábios

Paulista não é fiel
Paulista é insensível
Paulista é efémero
Paulista é inseguro
Paulista é engraçado

A noite queima quando o fogo é acenado
Sexta, sábado, domingo
O dia e o momento não consolam a dor

Paulista não age como se apresenta
E nem se entrega
E só vive no estético