domingo, 13 de setembro de 2015

O palco e seu vestido incrédulo

Há um tempo em que a saudade não se dilui mais em uma taça de vinho
E nenhuma canção consegue deixar o amanhecer um pouco mais feliz
Deixando os olhos perdidos nas próprias lembranças incrédulas e inquietas

O moço que sorria na estrada de terra deixou anoitecer suas tristezas
O moço que corria pelo asfalto molhado não olhou para o que deixou
O moço que vivia na esperança de um sorriso não sorria por saudades

O vestido quase transparante vestia as mais vivas saudades das camas repartidas
E quando as tentativas foram esquecidas nas lembranças ilhadas de sentimentos
As mais verdadeiras verdades deixavam as mãos trêmulas e cheias de vontade

Vozes que ouviram suas memórias mais secretas não deixavam os corpos em paz
E com as carteiras vazias os poucos cigarros era a companhia do quarto escuro
A fumaça que dançava no ar era como um balé de um homem sozinho no palco